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A Obra-Prima Medieval que Sobreviveu a Quase Mil Anos

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Talvez você tenha visto a última polêmica vinda da França: a decisão de emprestar a Tapeçaria de Bayeux para a Inglaterra. O anúncio gerou protestos de conservadores, artistas e até políticos, que acusam o governo francês de colocar em risco um dos maiores tesouros da humanidade. Petições com dezenas de milhares de assinaturas circulam online, especialistas alertam que a obra é frágil demais para ser transportada.

Mas afinal, por que tanto barulho em torno de um pedaço de linho bordado? A resposta está na própria história da tapeçaria: uma narrativa épica de guerra, traição e conquista que atravessou mil anos. Sobreviveu à Revolução Francesa, à ocupação nazista, a incêndios, pilhagens e séculos de negligência.
Esta é a Tapeçaria de Bayeux, uma das obras de arte mais extraordinárias já feitas.

A História Bordada com Fios de Ouro
Criada por volta de 1070, apenas quatro anos após a famosa Batalha de Hastings, esta "tapeçaria" (na verdade um bordado) conta em detalhes como Guilherme, o Conquistador, invadiu a Inglaterra e mudou para sempre o curso da história europeia.
Com seus impressionantes 70 metros de comprimento e meio metro de altura, a obra apresenta mais de 600 personagens, 200 cavalos, 55 cães, além de navios, armas e detalhes preciosos. É como um filme medieval em tecido: cada ponto narra uma parte da história, cada cor traduz uma emoção, cada figura eterniza um momento decisivo da conquista normanda.

O Protagonista
Para entender a tapeçaria, precisamos conhecer seu herói. Guilherme I da Normandia não era apenas mais um nobre medieval, era um estrategista brilhante que acreditava ter direito legítimo ao trono inglês.
Nascido em 1028, bastardo do duque Roberto I da Normandia, herdou o título ainda criança. Segundo a tradição normanda, o rei inglês Eduardo, o Confessor, teria prometido a Guilherme a sucessão. Mais tarde, o nobre saxão Haroldo Godwinson jurou apoiá-lo, um juramento que mudaria a história.
Quando Haroldo foi coroado rei em 1066, Guilherme viu a ação como traição imperdoável. Sua resposta? Uma das invasões mais ousadas da Idade Média, culminando na Batalha de Hastings (14 de outubro de 1066), onde Haroldo morreu de forma lendária, atingido por uma flecha no olho, e a Inglaterra mudou de mãos para sempre.

Arte e Documento Histórico
A Tapeçaria de Bayeux é única porque funciona como arte e também como jornalismo medieval. Cada cena foi pensada para transmitir a versão normanda, quase uma propaganda política costurada com agulhas.
A narrativa visual é cinematográfica: vemos Haroldo visitar Guilherme e fazer o juramento, assistimos aos preparativos para a invasão, acompanhamos a travessia do Canal da Mancha e, por fim, o clímax épico da batalha.
As bordas do tecido são igualmente fascinantes, cheias de criaturas fantásticas, fábulas de Esopo e cenas do cotidiano, uma narrativa paralela que mistura símbolos, ironias e advertências morais.

Quem Criou Esta Maravilha?
Durante séculos acreditou-se que a rainha Matilde, esposa de Guilherme, teria bordado a tapeçaria com suas damas. Hoje sabemos que essa é apenas uma lenda romântica.
A teoria mais aceita é que o poderoso Odon de Bayeux, meio-irmão de Guilherme e bispo da Normandia, encomendou a obra. Os bordados provavelmente foram feitos por artesãos anglo-saxões altamente especializados, o que explicaria sua precisão técnica e até alguns detalhes simpáticos aos derrotados saxões.

Sobrevivendo Contra Todas as Probabilidades
O mais incrível é que a tapeçaria sobreviveu. Durante a Revolução Francesa, quase foi usada para cobrir carroças militares. Passou pela ocupação nazista na Segunda Guerra, resistiu a séculos de negligência e ainda escapou de incêndios e pilhagens religiosas.
Hoje repousa protegida no Museu da Tapeçaria de Bayeux, recebendo centenas de milhares de visitantes todos os anos. E em 2026, pela primeira vez em quase mil anos, viajará à Inglaterra para ser exibida no British Museum (ou será que não).

 

E se, além de conhecer a história, você pudesse caminhar pelos mesmos cenários que moldaram a Europa medieval? A Normandia guarda muito mais do que esta obra-prima: castelos, catedrais, vilarejos pitorescos e o imponente Mont Saint-Michel. Uma viagem que mistura arte, cultura e paisagens inesquecíveis. Descubra os pacotes para a região neste link e viva de perto a história que atravessou mil anos. Saiba mais aqui: biarritz.net.br/home/regiao/normandie-rouen-mont-saint-michel 

 

Sobre o autor: Meu nome é Günther Masi Haas. Sou desenvolvedor web, e atualmente trabalho também como designer multimídia na Biarritz Turismo. Apaixonado por cultura e história, escrevo sobre diversos aspectos da história da França e suas ricas tradições. Para saber mais sobre meu trabalho, siga o blog e acompanhe minhas publicações.

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